vermmer além da alma césar castro: transpirações gráficas

A luz do meio-dia, transparente,
filtrava pelas paralelas bordas
da janela, e o confronto em fulgor das
frutas (ou da tua pele?) ardia quente.
Saudade é o que o torpor do sono sente
da ilha. Aquele céu (não te recordas?)
de acaso que no opaco véu põe gordas
camadas cambiantes de poente,
um outro brilho tinha. Onde eu dormia,
numa casinha litorânea e pobre,
no ar a luz das lâmpadas de cobre,
traçava lentamente espirais sobre
alva toalha, sombra em que se urdia
o teorema doutra geometria.
Sthephane Mallarmé




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