Artur CarNAvalha Gumes - Afora a TropicanAlice Metaforas à Parte soy de Campos soy Canalha


13/07/2006


no quintal da minha casa tem uma planta sagrada debaixo do pé de manga espada tem um pé de limão cravo uma horta com alface e couve e alguns temperos caseiros que a minha mãe todo dia gosta de admirar as plantas que ficam crescendo as flores e suas sementes perto do muro da casa com tua energia solar como um poema que eu falo como quem brinca de pique e você não quer que eu explique o nome da minha rua que é uma rua só minha onde plantei minha casa durante noites de junho quando se faz lua cheia picasso foge da espanha com seus pincéis pioneiros e vai ali se encontrar com a sua musa primeira numa antiga cerâmica que conheceu na cacomanga no outono do patriarca em cem anos de solidão

Escrito por artur gomes às 14h27
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12/07/2006


 

sofia: meu tesouro

 

Jura secreta 11

 

fosse carne de açaí

entre os teus dentes

e o relógio na tua janela

mordesse a flor do tempo

como um cavalo alucinado

e selvagem no pasto das manhãs

em que o sol da primavera

vermelho como sangue

em minhas veias

transbordasse mangues

e explodisse em girassóis

diante dos teus olhos

 

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Escrito por artur gomes às 17h02
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11/07/2006


Escrito por artur gomes às 10h48
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De tanto te pensar, me veio a ilusão.
A mesma ilusão
Da égua que sorve a água pensando sorver a lua.
De te pensar me deito nas aguadas
E acredito luzir e estar atada
Ao fulgor do costado de um negro cavalo de cem luas.
De te sonhar, tenho nada,
Mas acredito em mim o ouro e o mundo.
De te amar, possuída de ossos e abismos
Acredito ter carne e vadiar
Ao redor dos teus cismos. De nunca te tocar
Tocando os outros
Acredito ter mãos, acredito ter boca
Quando só tenho patas e focinho.
De muito desejar altura e eternidade
Me vem a fantasia de que Existo e Sou.
Quando sou nada: égua fantasmagórica
Sorvendo a lua n“água.

Hilda Hilst

 

Escrito por artur gomes às 10h47
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Jura secreta 10

 

fosse o que eu quisesse

apenas um beijo

roubado em tua boca

dentro do poema

nada cabe

nem o que sei

nem o que não se sabe

e o que não soubesse

do que foi escrito

está cravado em nós

como cicatriz

do corte

entre uma palavra e outra

do que não dissesse

 

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Escrito por artur gomes às 10h27
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10/07/2006


Dez Chamamentos
Ao Amigo


Se te pareço noturna e imperfeita
Olha-me de novo. Porque esta noite
Olhei-me a mim, como se tu me olhasses.
E era como se a água
Desejasse

Escapar de sua casa que é o rio
E deslizando apenas, nem tocar a margem.

Te olhei. E há tanto tempo
Entendo que sou terra. Há tanto tempo
Espero
Que o teu corpo de água mais fraterno
Se estenda sobre o meu. Pastor e nauta

Olha-me de novo. Com menos altivez.
E mais atento.

 

Hilda Hilst

Escrito por artur gomes às 14h49
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