POESIA
Gastei uma hora pensando um verso
que a pena não quer escrever.
No entanto ele está cá dentro
inquieto, vivo.
Ele está cá dentro
e não quer sair.
Mas a poesia deste momento
inunda minha vida inteira.
Carlos Drummond de Andrade
POESIA
Gastei uma hora pensando um verso
que a pena não quer escrever.
No entanto ele está cá dentro
inquieto, vivo.
Ele está cá dentro
e não quer sair.
Mas a poesia deste momento
inunda minha vida inteira.
Carlos Drummond de Andrade

quero dizer apenas
que não vale a pena
só te ver de longe
na fotografia
e pensar teu nome
para poesia
quero tocar teus poros
conhecer a pele
radiografar teus pêlos
ser teu dia a dia
artur gomes
http://balckbilly.blogspot.com

tecidos sobre a pele
terra: antes que alguém morra
escrevo prevendo a morte
arriscando a vida
antes que seja tarde
e que a língua da minha boca
não cubra mais tua ferida
entre/aberto em teus ofícios
é que meu peito de poeta
sangra ao corte das navalhas
minha veia mais aberta
é mais um rio que se espalha
amada de muitos sonhos e pouco sexo
deposito a minha boca no teu cio
e uma semente fértil nos teus seios como um rio
o que me dói é ter-te
devorada por estranhos olhos
e deter impulsos por fidelidade
artur gomes
in fulinaíma sax blues poesia
artur gomes – voz
luiz ribeiro – guitarra
dalton freire – sax
antre e ouça
ouça aqui
http://www.soundclick.com/arturgomesfulinaima
http://www.soundclick.com/fulinaimaoutrasvozesoutrasfalas
O RIO DA VIDA!
Ninguém pode construir em teu lugar as pontes
que precisarás passar, para atravessar o rio da vida.
- Ninguém, exceto tu, só tu.
Existem, por certo, atalhos sem números, e pontes,
e semideuses que se oferecerão
para levar-te além do rio;
mas isso te custaria a tua própria pessoa;
tu te hipotecarias e te perderias.
Existe no mundo um único caminho
por onde só tu podes passar.
Onde leva?
Não perguntes, segue-o!
Nietzsche

Jura secreta 8
teu nome pode ser um elo
a ponte rio belo horizonte
porto alegre cais do porto
não fosse o gosto
que ainda tenho em minha boca
do vinho que bebi em tua boca
goiaba que roubei do teu pomar
não fosse o nome elo e ponte
ao menos fruta
que ficou no paladar
artur carNAvalha gumes
http://babycadelinha.blogspot.com
O auto-retrato
No retrato que me faço
- traço a traço -
às vezes me pinto nuvem,
às vezes me pinto árvore...
às vezes me pinto coisas
de que nem há mais lembrança...
ou coisas que não existem
mas que um dia existirão...
e, desta lida, em que busco
- pouco a pouco -
minha eterna semelhança,
no final, que restará?
Um desenho de criança...
Corrigido por um louco!
Mario Quintana