na tele
visão
dentro
do bar
mangueira
verde
rosa
eu vejo
sentado
à porta
e minha
vida
torta
passa
num re-lance
sentado
na cadeira
domingo
vou a feira
expor
artesanato
se der empate
eu desampato
o jogo
do palmeira
na tele
visão
dentro
do bar
mangueira
verde
rosa
eu vejo
sentado
à porta
e minha
vida
torta
passa
num re-lance
sentado
na cadeira
domingo
vou a feira
expor
artesanato
se der empate
eu desampato
o jogo
do palmeira
mamãe coragem
numa canção do lenine
o peixe está na rede
o mar está com sede
o rio agora chora
onde esta cidade pedra
veracidade medra
eu te esfinjo drama
onde a ferocidade fedra
eu te desejo deda
eu te devoro dama
pensando a trama do torquato
eu disse mamãe coragem
a vida é sagaranagem
fulinaíma é viagem
te levo na minha bagagem
não chora mamãe não chora
artur gomes
http://arturgomes.zip.net
http://carnavalha.zip.net
http://www.soundclick.com/bands/fulinaimaoutrasvozesoutrasfalas
http://www.soundclick.com/bands/arturgomesfulinaima
Toda Nudez Não Será Castigada
roberta agora
só se for cainelli
bruna só se for polleto
vestido
pode ser a pele
que encobre
a nudez do esqueleto
o beijo agora
só se for ao vivo
e-mail só se for inteiro
fantasia
só se for de tanga
camila agora
só se for pitanga
e carnaval
a gente transa
em fevereiro
Artur Gomes
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Recordo Ainda
recordo ainda... e nada mais me importa...
aqueles dias de uma luz tão mansa
que me deixavam, sempre, de lembrança
algum brinquedo novo à minha porta...
mas veio um vento de desesperança
soprando cinzas pela noite morta!
e eu pendurei na galharia torta.
todos os meus brinquedos de criança...
estrada afora após segui...
mas, aí, embora idade e senso eu aparente
não vos iludais o velho que aqui vai:
eu quero os meus
brinquedos novamente!
sou um pobre menino... acreditai!...
que envelheceu um dia de repente!...
Mário Quintana
1906 - 2006
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Os Poemas
os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
quando fechas o livro, eles alçam vôo
como de um alçapão.
eles não têm pouso
nem porto
alimentam-se um instante em cada par de mãos
e partem.
e olhas então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhoso espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti...
Mário Quintana
1906 - 2006
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